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www.jaguar.org.br | Edição 34 | Novembro de 2009
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Workshop para a conservação da Onça-pintada cria plano de ação nacional e prevê 60 anos para desaparecimento do animal no nordeste
Por Rogério Cunha de Paula rogerio.paula@icmbio.gov.br CENAP/ICMBio
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O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros, o CENAP, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO), organizou com a OSCIP Instituto Pró-Carnívoros, e a instituição americana Panthera, um workshop para conservação da onça-pintada, em Atibaia, São Paulo. A reunião aconteceu de 10 a 13 de novembro e ainda contou com o apoio da IUCN (União Internacional de Conservação da Natureza), através dos grupos de especialistas de felinos (Cat SG) e de conservação e reprodução (CBSG-Brasil).
Durante o evento foram definidas metas e ações para compor o Plano de Ação Nacional da Onça-Pintada e um mapa das áreas prioritárias para sua conservação, em preparo pelo ICMBio para meados de 2010. Mais de 200 ações foram propostas sendo priorizadas 10 para cada bioma do território nacional, resultando num quadro total de 50 ações prioritárias para a conservação da onça-pintada. |
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| Participantes do Workshop para a Conservação da Onça-Pintada, que ocorreu em Atibaia, São Paulo (Brasil), em novembro de 2009. (Rogério Cunha de Paula) |
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Os debates seguiram seis linhas temáticas que enfatizaram as Políticas Públicas, a Caça, os Conflitos, a Educação e Comunicação, Pesquisa, Perda e Fragmentação de Hábitats.
Associado a este estudo, foram gerados modelos estatísticos populacionais e de disponibilidade de hábitats.
Segundo Rogério Cunha de Paula – Chefe Substituto do CENAP – estas análises poderão direcionar esforços emergenciais às áreas onde a onça tem maior possibilidade de desaparecimento em curto e médio prazo. Para o biólogo, o nordeste brasileiro que tem hoje menos de 250 indivíduos, corre o risco de não possuir mais a onça-pintada em um prazo de 60 anos, por causa da perseguição por ataques à criação e transformação de hábitats naturais. “Uma solução para este apontamento é trabalhar na criação de novas Unidades de Conservação e corredores de conexão entre as já existentes que permitam a comunicação entre as populações isoladas”, salienta Rogério.
Status da ameaça
Foi definido também o status de ameaça da espécie para cada bioma, utilizando-se os critérios da IUCN. Apesar da onça-pintada ser observada mais abundantemente no Pantanal e Amazônia, resultando em um status de “Quase Ameaçada”, a situação nos outros biomas brasileiros é crítica. Definiu-se que a espécie se encontra sob o status “Vulnerável” no Cerrado, “Ameaçada” na Mata Atlântica e “Criticamente Ameaçada” na Caatinga.
A onça-pintada é o maior felino das Américas e vem sofrendo nas últimas décadas redução drástica de suas populações e conseqüentemente desaparecimento de várias áreas onde antes ocorria. A espécie figura entre as listas de espécies ameaçadas estaduais, nacionais e mundiais. No Brasil é listada como Vulnerável e segue em extremo declínio na maior parte do território nacional.
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Importância da região de Huasteca Potosina para a conservação da Onça-pintada no México
Por Ávila-Nájera Dulce. M. terapan@hotmail.com e Octavio C. Rosas-Rosas
Colégio de Pós-graduados
MÉXICO |
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| Distribuição da onça-pintada no México. Mapa obtido de Ceballos e Oliva (2005). |
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| Ejido San Nicolás de los Montes, San Luis Potosí, México. Por: Dulce Ma. Ávila-Nájera |
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| Onça-pintada macho registrada durante 2007 em floresta de azinheira. Por: Dulce Ma. Ávila-Nájera |
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Os estudos atuais sobre a distribuição e status de conservação da onça-pintada são escassos no México. No entanto, considera-se que a espécie se distribui por ambos os litorais e no Istmo de Tehantepec, estado de Oaxaca, continuamente até a Península de Yucatán. A abundância do felino não é homogênea e determina-se que os estados do Sul da República Mexicana possuem as maiores populações. No estado de San Luis Potosí existem apenas registros sem comprovação da espécie (Dalquest, 1953), que são baseados nos resultados obtidos dos estudos realizados em 2006, ano em que o projeto de conservação da onça-pintada foi iniciado no estado. Por exemplo, o trabalho realizado por Villordo et al. (no prelo) documentou a presença de Panthera onca em 11 “ejidos”, que são porções de terra não cultivadas e de uso público e em 7 comunidades de vegetação, das quais foi obtida a maior quantidade de registros na floresta de azinheira. Dos 11 “ejidos”, foi escolhida a San Nicolás de los Montes com 20.085 ha, devido à associação da vegetação predominante com a grande biodiversidade e conservação do habitat, para realizar durante a época das secas de 2007-2008 um estudo de armadilhas-fotográficas, com o objetivo de determinar a abundância e densidade da onça-pintada na região. Como resultado, foi estimada uma abundância de cinco indivíduos e uma densidade de 1,55 ± 1,93 onças/100 km². Como metodologia foi utilizada a média da distância máxima de movimento (MMDM) com a ajuda do programa Arc View 3.2.
Os resultados encontrados são relevantes, por se tratar da primeira estimativa da abundância e densidade do grande felino em San Luis Potosí e por determinar que sua presença e conservação estão ameaçados pela fragmentação do habitat (de 1976 a 2000, perdeu-se na região, 428.809 ha de vegetação natural por causa das atividades humanas, principalmente pela mudança de uso do solo e pela caça ilegal da onça-pintada e suas presas naturais Villordo et al. (no prelo).
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As perspectivas para a conservação do felino são otimistas, apesar da situação atual, uma vez que programas para a conservação da onça-pintada estão sendo iniciados, abordando a sensibilização e educação ambiental da população local e o manejo adequado do gado. A região da Huasteca em San Luis Potosí é de alta importância para a conservação da onça-pintada e outras espécies neotropicais, já que faz parte do corredor biológico Sierra Madre Oriental no leste do México, que é a zona de transição das regiões zoogeográficas neártica e neotropical. Esta região é também o limite da ocorrência da onça-pintada para o Nordeste do México.
Literatura Citada
Ceballos G. e G. Oliva (Coordenadores). 2005. Los Mamíferos silvestres de México. Comisión Nacional para el Conocimiento y Uso de la Biodiversidad. México. 986 p.
Dalquest, W. W. 1953. Mammals of the Mexican state of San Luis Potosi. Louisiana State University, Biological Sciences Series. 1:1-229.
Villordo-Galván, J. A., O. C. Rosas-Rosas, F. Clemente, L. Tarango, J. F. Martinez, G. Mendoza, M. D. Hermosillo e L. C. Bender. 2009. Present status of the jaguar (Panthera onca) in San Luis Potosí, México. The Southwestern Naturalist (no prelo)
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