www.jaguar.org.br | Edição 27 | Abril de 2009
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Conservação da onça-pintada através de abrigo para indivíduos apreendidos de cativeiro ilegal
Por Mirella D'Elia e Christina Gianni, NEX

Fundada em 2000, a Organização Não Governamental NEX - No Extinction tem como objetivo a conservação dos felídeos brasileiros. Localizado na Fazenda Preto Velho (GO) a cerca de 80 km de Brasília, nosso Criadouro Conservacionista possibilita abrigo às oito espécies de felinos existentes no Brasil: Onça-pintada (Panthera onca); Suçuarana (Puma concolor); Jaguarundi (Puma yagouaroundi); Jaguatirica (Leopardus pardalis); Gato-maracajá (Leopardus wiedii); Gato-palheiro (Leopardus colocolo); Gato-do-mato-grande (Leopardus geoffroyi); Gato-do-mato-pequeno (Leopardus tigrinus).

Os animais que chegam ao NEX, em sua maioria são felinos de vida livre, apreendidos em flagrantes de tráfico, cativeiro ilegal, ou que se tornaram animais-problema em virtude da predação de gado em algumas regiões do Brasil. Dentre outras espécies, o NEX já recebeu seis onças-pintadas, que se encontram no criadouro.

Com o objetivo de proporcionar aos animais um ambiente o mais próximo possível do encontrado em vida livre e reduzir o estresse da vida em cativeiro, os recintos das onças-pintadas do NEX possuem uma grande extensão, que varia de 100 a 300 m², com altura entre quatro e cinco metros. Essa estrutura possibilita aos animais uma ampla área de exposição à luz solar.

Casal de onças-pintadas em recinto do NEX, Goiás. Por Mirella D’Elia.  

Macho de onça-pintada abrigada no NEX se alimentando de carne que foi colocada no lago de seu recinto como atividade de enriquecimento ambiental. Por Mirella D’Elia.  

Todos os recintos são também ambientados com árvores de pequeno e médio porte, troncos em forquilhas, lago artificial com queda d’água, piso de terra com grama natural e abrigo em forma de gruta. Além disso, passarelas a uma altura de 2 a 3 metros do chão proporcionam maior possibilidade de circulação e de exercício para os felinos. Os trabalhos de enriquecimento ambiental são realizados constantemente e envolvem: pneus, bolas, carne em caixas de papelão distribuídas pelo recinto, carne colocada dentro do lago ou inserida dentro de cocos e pneus. Esse conjunto de condições exerce grande influência sobre a recuperação e manutenção da qualidade de vida dos animais que estão sob nossa responsabilidade.

O NEX desenvolve também projetos na área ambiental e social, pois acredita que só desta forma poderá obter um plano integrado para a conservação da onça-pintada e de todos os felinos brasileiros. A sobrevivência de nossa organização depende da expansão de nosso criadouro conservacionista para que possamos dar continuidade aos nossos projetos. Para tanto, necessitamos do apoio de doadores e parceiros comprometidos com a conservação ambiental, pois os custos gerados pela construção dos recintos, infra-estrutura e manutenção são constantes.

Conheça o NEX através do nosso site ou blog, que possuem muitas fotos e filmes, e contribua para a conservação dos felinos neotropicais brasileiros.

Blog: http://cristhie.vox.com
http://www.nex.org.br
Nosso telefone para contato: +55 61 9223-4141


 
         

Ecologia alimentar da onça-pintada no Pantanal de Miranda, MS
Por: Instituto Onça-Pintada


Equipe do Instituto Onça-Pintada composta por um cão farejador de fezes, seu condutor e uma assistente de campo a procura de fezes de onça-pintada. Foto por Instituto Onça-Pintada  

Fezes de onça-pintada coletadas a campo, colocadas para secar ao Sol após serem lavadas para posterior análise de dieta. Foto por Instituto Onça-Pintada.  

A onça-pintada é predador topo de cadeia alimentar e sua dieta é descrita como oportunista, ou seja, consome as presas de acordo com a disponibilidade, abundância e vulnerabilidade das mesmas no ambiente.

O Pantanal abriga uma das maiores populações de onça-pintada, e é considerado uma área prioritária para a conservação da espécie (Sanderson et al., 2002). Como a abundância de predadores depende diretamente da abundância de suas presas, compreender como a onça-pintada utiliza os recursos alimentares disponíveis no bioma é de fundamental importância para a conservação da espécie.

Neste contexto, durante o ano de 2008, foi realizado um estudo para descrever a dieta da onça-pintada através da análise de fezes no Refúgio Ecológico Caiman, localizado na sub-região do Pantanal de Miranda (MS), conduzido pela bióloga Grasiela Porfírio, pesquisadora associada do Instituto Onça-Pintada e aluna do Programa de Mestrado em Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Os objetivos específicos foram verificar se a dieta da onça-pintada varia entre a estação seca e chuvosa e investigar se as presas foram consumidas de acordo com a abundância e sobreposição de padrão atividade com a onça-pintada.

As fezes foram coletadas com o auxílio de cães farejadores na estação chuvosa e seca, sendo este projeto pioneiro a utilizar este método no Pantanal. Armadilhas fotográficas também foram utilizadas para determinar a abundância de espécies presa e o padrão de atividade destas e da própria onça-pintada. Observou-se diferença entre presas consumidas na estação chuvosa e seca, sendo que na estação chuvosa as espécies mais consumidas foram as cutias (Dasyprocta azarae) (24,0%), os tatus (Família Dasypodidae) (10,0%), os veados (Família Cervidae) (8,0%) e as capivaras (Hydrochaeris hydrochaeris) (8,0%). Na estação seca, as espécies mais consumidas foram as cutias (Dasyprocta azarae)(17,6%), o gado (Bos taurus) (17,6%), os veados (Família Cervidae) (10,0%) e os queixadas (Tayassu pecari) (9,2%). Enquanto a onça-pintada consumiu as presas de acordo com sua abundância no ambiente, a sobreposição de atividade entre as onças e potenciais presas não influenciou na proporção das espécies consumidas.

Este estudo comprova o comportamento alimentar oportunista da onça-pintada. E, embora a área de estudada se encontre em bom estado de conservação e a onça tenha consumido com maior freqüência presas silvestres, o gado foi uma importante fonte de biomassa para a espécie. Assim, a conservação da onça-pintada na região de estudo depende tanto da manutenção da comunidade de presas, quanto do manejo do conflito entre a onça e a pecuária. O Pantanal, com uma abundante fauna mamífera, possui a capacidade de suportar altas densidades de onça-pintada.

Referências:

¹Sanderson E. W., Redford K. H., Chetkiewitz C. B., Medellin R. A., Rabinowitz A. R., Robinson J. G. e Taber A. B. 2002. Planning to Save a Species: the Jaguar as a Model. Conservation Biology 16 (1), 58-72.

 
 

Estas duas onças foram registradas através de armadilhas-fotográficas em uma de nossas cinco áreas de estudo, a Reserva Florestal The Mountain Pine Ridge, em Belize, no ano de 2007. A área é interessante, pois é composta por floresta tropical de coníferas, em vez de floresta tropical de folhas largas. O Projeto Ix- Jaguar, por meio de Virginia Tech, está amostrado a floresta de coníferas desde 2004, e aparentemente as onças residem nessa área constantemente. Após uma grande queimada ter arrasado a área em 2007, ainda continuamos registrando onças com regularidade na região queimada. As duas onças da foto parecem ser uma mãe e o seu filhotão, evidenciando que onças vivem e se reproduzem no habitat de floresta de coníferas.

Por Marcela Kelly

 
 

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