www.jaguar.org.br | Edição 26 | Março de 2009
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Ecologia Espacial, Comportamento Simpátrico e Conservação da onça-pintada (Panthera onca) e onça-parda (Puma concolor) em Belize
Por Omar Figueroa

Em fevereiro de 2008 iniciei um projeto que estuda onças-pintadas e onças-pardas em Belize. O projeto compreende a parte central de um programa de doutorado na Universidade da Florida que tem no seu corpo docente Frank Mazzotti, meu principal professor.

O estudo enfoca a ecologia espacial, o comportamento simpátrico e a dieta da onça-pintada e onça-parda em Belize central. O estudo levanta informações críticas sobre área de vida, padrão de atividade, uso de habitat, dinâmica social e a base de presa dessas duas espécies. Fatores antrópicos (por exemplo, estradas, eco-turismo, extração de madeira, agricultura, caça ilegal) continuam fragmentando e re-estruturando a região. Essa paisagem oferece boas oportunidades para usar a tecnologia de rastreamento por GPS a fim de melhorar nosso conhecimento sobre a ecologia e o comportamento desses dois felinos simpátricos.
Através do mapeamento de áreas de vida, da caracterização de padrões de atividade dentro dessas áreas, da descrição do uso de habitat, da quantificação de características de habitat dentro de áreas de uso intensivo e da dieta nesta paisagem, o estudo vai fornecer informações necessárias para colaborar na condução do manejo e conservação destas espécies.

A área de estudo: Montanhas de karst (fundo) numa matriz de savana (frente). Foto por Omar Figueroa.  

Onça-pintada capturada em uma armadilha tipo laço. Foto por Omar Figueroa.  

Com a quantificação do conjunto de características eco-geográficas que definam o uso do espaço pela onça-pintada é possível desenvolver um modelo de habitat espacialmente explícito, o que pode proporcionar ferramentas de manejo com potencial de trazer impacto imediato à conservação. Isso é especificamente importante considerando as tendências do conflito homem – onça-pintada e padrões preocupantes de perseguição da espécie na região.

Objetivos:
1. Determinar o estado populacional da onça-pintada em Belize central e mapear potenciais corredores de dispersão/movimento conectando o maior Maciço Montanhoso Maya (sul do Belize) com a Selva Maya no norte;
2. descrever parâmetros espaciais e temporais de áreas de vida de onça-pintada e padrões de movimento e atividade de animais rastreados por GPS;
3. testar a hipótese que dentro dessa paisagem com dinâmica sazonal a presa da onça-pintada é efêmera, porém previsível no espaço e no tempo, e que dentro de áreas de vida, onças-pintadas mostrarão mudanças espaciais e temporais em resposta a mudanças na disponibilidade de presa;
4. caracterizar e quantificar o uso de habitat;
5.quantificar o conjunto de variáveis eco-geográficas que definem habitat adequado e desenvolver um modelo de adequabilidade de habitat para projetar a extensão dessas características para a paisagem mais ampla;
6. mapear potenciais corredores entre fragmentos separados de habitat adequado;
7. investigar a dieta da onça-pintada a partir de dados de fezes e testar a hipótese que a onça-pintada seleciona presa baseado na sua abundância relativa. Estimar abundância de presa através de transectos lineares;
8. modelar diferenciais taxas de extinção para investigar a persistência da população sob várias pressuposições sobre a ecologia populacional e variação ambiental.

Uma das principais ferramentas de pesquisa desse estudo é a tecnologia de rastreamento através de GPS. Capturei seis onças-pintadas e sete onças-pardas. Colares de GPS foram colocados em todas as onças-pintadas, porém devido a falta de colares, somente três onças-pardas foram equipadas com colar. O projeto levou um contratempo severo quando os primeiros sete colares caíram aos pedaços ou não funcionaram sob condições rigorosas de campo nos trópicos. Dois colares foram colocados neste ano (um em uma onça-parda e um em onça-pintada) e ambos em funcionamento, coletando tanto localizações programadas em cronograma prévio quanto outras localizações não programadas.

Através de uma parceria com a ONG Panthera, instalei armadilhas fotográficas ativadas por um sensor de calor na minha área de estudo. Essa amostragem foi concluída no dia 15 de março de 2009 e os resultados atualmente estão sendo analisados. O uso de armadilhas fotográficas junto com os dados dos colares GPS permitirá uma estimativa acurada da densidade de onça-pintada e onça-parda e a comparação de algumas pressuposições básicas da metodologia de armadilhas fotográficas (por exemplo, estimativa de densidade). Possibilitará um melhor conhecimento de como os meus felinos com colar movem entre a matriz de felinos sem colar, assim, contribuindo fortemente para um melhor conhecimento da ecologia espacial e do comportamento simpátrico desses dois predadores topo de cadeia.


 
         

Pesquisadora do Instituto Onça-Pintada é selecionada como uma das Líderes Emergentes na Conservação da Vida Silvestre
Por: Instituto Onça Pintada


Natália M. Tôrres do Instituto Onça-Pintada (segunda fila, sexta da esquerda) e a turma do curso “Emerging Wildlife Conservation Leaders” (Líderes Emergentes na Conservação da Vida Silvestre) de 2009, no Centro de Conservação White Oak, Florida, Estados Unidos. Foto por Joe Milmoe.  

Natália M. Tôrres do Instituto Onça-Pintada colocando radio-colar em uma onça-pintada capturada no Refúgio Ecológico Caiman, Pantanal –MS, Brasil. Foto por Instituto Onça-Pintada  

A Bióloga Natália M. Tôrres, gerente de comunicação e pesquisadora do IOP foi selecionada como uma de 21 conservacionistas emergentes no mundo para participar em um curso de treinamento intensivo de dois anos chamado Emerging Wildlife Conservation Leaders (“EWCL” – Líderes Emergentes na Conservação da Vida Silvestre) que começou em março deste ano. O curso é financiado por uma variedade de grupos conservacionistas, incluindo US Fish and Wildlife Service (agência nacional dos Estados Unidos para a vida silvestre), Howard Gilman Foundation (Fundação Howard Gilman), Wildlife Conservation Network (Rede de Conservação da Vida Silvestre), Defenders of Wildlife (Defesores da Vida Silvestre), e o International Fund for Animal Welfare (Fundo Internacional para o Bem-estar de Animais).

O curso traz participantes selecionados para O Centro de Conservação White Oak, na Florida - EUA, onde eles serão treinados em como implementar campanhas eficientes para a vida silvestre, assim como em técnicas de liderança, por alguns dos melhores conservacionistas nessa área.

Os participantes do curso se dividem em grupos para planejar, implementar e avaliar uma campanha de conservação beneficiando uma espécie ameaçada. Experiências passadas de projetos do EWCL beneficiou ursos no sudeste da Ásia, okapi da Republica Democrática de Congo, populações de anfíbios em declínio, onças-pintadas do noroeste do México e pangolins capturados para o mercado ilegal de animais silvestres.

“Natália foi selecionada de um grupo altamente competitivo por seu entusiasmo e demonstradas habilidades de liderança”, disse Jeff Flocken, co-fundador do EWCL. “Acredito que ela vai desfrutar a experiência e sair dela pronta para ajudar fazer um papel importante em conservar a maravilhosa vida silvestre do nosso planeta.” Natália é Mestre em Biologia. Atualmente é doutoranda da Universidade Federal de Goiás, trabalha com modelagem de distribuição da onça-pintada e potencias efeitos de mudanças climáticas na futura distribuição da espécie. Ela tem como um dos objetivos de tese identificar áreas prioritárias para a conservação da onça-pintada prazo ao longo de toda a sua distribuição. Ela faz parte da equipe do Instituto Onça-Pintada desde 2002.

 
         

 


Onça-Pintada atropelada dentro do Parque Nacional de Iguaçu, Paraná – Brasil.

Leia mais sobre este caso em: http://www.oeco.com.br/reportagens/37-reportagens/21371-tragedia-anunciada-no-parna-do-iguacu.

 


Onça-Pintada atropelada dentro do Parque Nacional de Iguaçu, Paraná – Brasil. Leia mais sobre este caso em: http://www.oeco.com.br/reportagens/37-reportagens/21371-tragedia-anunciada-no-parna-do-iguacu

 

 


 
 
         

Instituto Onça-Pintada apóia INPA em estudos de onça-pintada na Amazônia

Na Amazônia, o Instituto Nacional de Pesquisa na Amazônia (INPA), em colaboração com pesquisadores da Espanha e do México, está desenvolvendo um projeto para estudar a ecologia e genética da onça-pintada através de métodos indiretos como armadilhas fotográficas, armadilhas de rastros, e a coleta de fezes. Amostras de fezes fornecem informações sobre a dieta da espécie, assim como o seu estado de saúde. Ainda, através das fezes é possível extrair DNA, o que permite a identificação do sexo do indivíduo. Como geralmente é difícil a localização visual das fezes de onça-pintada na natureza, o Instituto Onça-Pintada enviou Raphael Almeida, pesquisador e condutor de Tupã, cão especificamente treinado para procurar fezes de onça-pintada, para conduzir estas coletas. A floresta amazônica é o quarto bioma brasileiro que os dois conhecem, já tendo amostrado áreas no Pantanal, Cerrado e na Caatinga.

Leia mais sobre o projeto na Amazônia e assista a produção da Globo aqui: http://portalamazonia.globo.com/
noticias.php?idN=80690&idLingua=1

 

 


Pesquisador Raphael Almeida e cão farejador de fezes de onça-pintada Tupã trabalhando na Reserva Florestal Adolpho Ducke, Amazonas, Brasil. Foto por Instituto Onça-Pintada.  

 


 
 
         

Expedição do Corredor do Tigre (Agosto 2009): Rastreando onças e pumas na Serra do Mar
Por: Marcelo Mazzolli – Projeto Puma


O Corredor do Tigre é um projeto de longo prazo que visa identificar e criar condições para proteção das áreas em melhor estado de conservação para a onça-pintada na porção sul de sua distribuição na Floresta Atlântica costeira.

Estas áreas-núcleo são identificadas a partir de uma análise de presença da onça, presença de espécies-presa, e condição do habitat.

O projeto vem sendo executado desde 2006 através de expedições bi-anuais com voluntários estrangeiros e locais, conferindo-lhe sustentabilidade.

A proposta é de que seja permanente, haja visto o problema do desaparecimento eminente da espécie na Floresta Atlântica costeira do sul do Brasil (Mazzolli, aceito) e particularmente da floresta paranaense (Leite-Pitman et al., 2002; Mazzolli, 2005; Mazzolli & Hammer, 2007a;


   

Mazzolli & Hammer, 2008). Além das publicações citadas, até agora os resultados foram apresentados em uma conferência em Oxford (Mazzolli & Hammer, 2007b; Leite-Pitman & Mazzolli, 2007) e contribuíram no Workshop para elaboração de Plano de Manejo da onça-pintada organizada pelo Instituto Onça-Pintada (IOP) e no Plano de Ação de estadual de espécies ameaçadas do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

A continuidade do projeto na APA de Guaratuba (PR) irá focar no levantamento de áreas-núcleo, procurando descobrir quais são trampolins para a recolonização da onça-pintada na região de entorno.

As expedições dependem exclusivamente da contribuição dos participantes, que são treinados para coleta de dados em campo e análise de dados. Qualquer pessoa pode participar. O valor é R$ 500 (aprox. 225 USD) por quatro dias. É possível a estadia por mais dias. Estudantes ganham certificado e validação de horas-aula, além de desconto. Mais informações na página do Projeto Puma http://uniplac.net/~puma/cursos.html.

Leite-Pitman, M. R. L. & Mazzolli, M. 2007 Jaguar persistence in fragments of the Atlantic Coastal Forest, southeastern Brazil. Proceedings of the Wild Felid Biology and Conservation Conference. University of Oxford.

Leite-Pitman, M.R.P.; Boulhosa, R.L.P.; Galvão, F. & Cullen Jr., L. 2002a. Consevación del jaguar en las áreas protegidas del bosque atlántico de la costa de Brasil. In: Medellin, R.A.; Equihua, C.; Chetkwicz, C.L.B.; Crawshaw Jr., P.G.; Rabinowitz, A.; Redford, K.H.; Robinson, J.G.; Sanderson, E. & Taber, A. (eds). El jaguar en el nuevo milenio: una evaluación de su condición actual, historia natural y prioridades para su conservación. Prensa de la Universidad Nacional Autônoma de México/Wildlife Conservation, Ciudad de Mexico, Mexico, p.25-42.

Mazzolli, M. 2005. Avaliando integridade ambiental e predizendo extinções locais a partir de padrões de desaparecimento da mega-mastofauna atual do sul do Brasil. Resumos do III Congresso Brasileiro de Mastozoologia, Aracruz-ES.

Mazzolli, M. & Hammer, M.L.A. 2007a. Studying jaguars, pumas and their prey in Brazil s Atlantic rainforest: The jaguar corridor. Projeto Puma and Biosphere Expeditions. United Kingdom, UK..

Mazzolli, M. & Hammer, M.L.A. 2007b. Habitat suitability for jaguar and puma in southern atlantic forest of Brazil infered from proportion of area occupied and prey richness. Proceedings of the Wild Felid Biology and Conservation Conference. University of Oxford.

Mazzolli, M. & Hammer, M.L.A. 2008. Qualidade de ambiente para a onça-pintada, puma e jaguatirica na Baía de Guaratuba, Estado do Paraná, utilizando os aplicativos Capture e Presence. Biotemas 21 (2): 105 – 117.


 
 
 

Focus Tours, www.focustours.com, em parceria com Jaguar River Lodge www.jaguarriverlodge.com, está implementando um projeto de pesquisa direcionado para o estudo da população de onça-pintada ao longo do rio Paraguai, Mato Grosso. O projeto em cooperação com CENAP/ICMBIO e coordenado por Douglas Trent, acontece na Estação Ecológica Taiamã. Esta foto foi tirada no beiral sul da reserva, no dia 06 de setembro de 2006, às 16:44 h, entre as coordenadas S 16 58'18.204", W 057 23'.52.517", Primeiro, vimos o macho, sozinho, e depois a fêmea se juntou a ele. Três vezes durante 40 minutos de observação eles tentaram cruzar, a fêmea recusando no último segundo. A fotografia foi tirada com a câmera Canon 20D e uma lente de 300mm da Canon.

Por Douglas B. Trent, www.focustours.com

 
 

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