A sua história vai ser contada junta com a do Urso Smokey. Ele nos deu o seu valioso DNA, pela primeira vez para a ciência moderna, o que revelará informações sobre a sua origem, seu parentesco com outras onças-pintadas, e assim, a viabilidade das onças-pintadas das terras da fronteira. Macho B completou o seu trabalho para a conservação das onças-pintadas das terras da fronteira. A sua morte é terrivelmente triste. Mas agora é a nossa vez de agradecer e aprender com o presente que Macho B nos deu. Temos que trabalhar juntos para a conservação da continuidade da presença de sua espécie no nosso país selvagem.
Macho B era a onça-pintada mais velha de vida livre da história e isso é uma prova da qualidade de habitat aqui no sul do Arizona. O fato de que essa onça-pintada conseguiu sobreviver neste habitat por mais tempo do que qualquer outra onça-pintada em qualquer outro habitat não só confirma que a espécie pode mesmo viver com sucesso aqui, mas também que uma rede enorme de áreas particulares e públicas está sendo manejada de uma forma saudável e sustentável. Porém, essa paisagem e essa rede colaborativa de conservação são frágeis e temos que fazer todo o possível para manter esse habitat para esse felino magnífico.
Macho B andou em grandes partes do sul do Arizona por pelo menos 13 anos, porém, até onde sabemos, somente foi visto duas vezes. Continuam desconhecidas quantas outras onças-pintadas ocorrem sem serem vistas no Arizona e Novo México. Até hoje, o Borderlands Jaguar Detection Project (Projeto de Detecção da Onça-Pintada nas Terras da Fronteira) amostrou somente 12% do habitat potencial no Arizona, e resta mais a ser amostrado no Novo México.
Um aspecto importante na biologia de grandes felinos é a territorialidade, especialmente em machos adultos. Sabemos que o Macho B era um macho territorial por meio dos vídeos que obtivemos dele mostrando três comportamentos diferentes de marcação de cheiro. Quando o território de uma onça-pintada fica vazio, muitas vezes é preenchido por um macho mais novo. É bem provável que outra onça-pintada vá ocupar o território do Macho B. Entretanto, sem reprodução confirmada nos Estados Unidos desde a década de 1920, a presença da onça-pintada aqui depende completamente de dispersão a partir do norte do México. Significa que temos que manter a conectividade de habitat através da fronteira e garantir a segurança da espécie no norte do México. Obviamente, temos muito trabalho a fazer.
A recaptura do Macho B foi absolutamente necessária. Eu tinha monitorado cada passo dele através de tecnologia de satélites. Imediatamente após a primeira captura, o felino pareceu completamente bem. Tinha se comportado exatamente como se esperava, fugiu do ponto de captura para se recuperar numa área escondida. Porém, nos dias seguintes, ficou aparente que os seus movimentos não eram normais e que ele estava passando muito tempo sem se mover. Coletivamente, decidimos checar o local onde ele tinha ficado e os rastros encontrados levantaram mais preocupações. No dia seguinte, um veterinário de animais silvestres numa avaliação visual percebeu que o animal se encontrava em condições muito ruins e que necessitava de mais atenção. Essas coisas sempre acontecem num domingo, mas o Arizona Game and Fish Department conseguiu reunir a melhor equipe possível de um dia para o outro. Os melhores indivíduos juntaram os melhores recursos para capturar o felino para uma avaliação veterinária completa. A missão extremamente difícil e delicada foi maravilhosamente coordenada pelo Arizona Game and Fish Department. Guiados por meus e-mails e ligações da Espanha passando as localizações do animal em tempo real, a equipe realizou uma captura rápida e de baixo estresse.
A sua condição de falha renal completa foi infeliz, mas nada inesperado para um animal da idade dele. Apesar do final trágico, o Jaguar Conservation Team e os seus colaboradores fizeram uma operação fantástica. Quero pessoalmente agradecer cada um dos profissionais que fizeram todo o esforço possível para ajudar essa velha onça-pintada.
Macho B virou um embaixador internacional para a conservação da onça-pintada. Enquanto lamentamos a sua morte, não devemos atribuir culpa ou deixa-la nos separar. Macho B reuniu muitas fontes diferentes para atingir um objetivo comum, e na segunda-feira juntamos todos os nossos recursos para ajudar ele. Em seu nome, quero apelar a todos para mantermos esse impulso em movimento, além de interesses políticos e fronteiras internacionais, e além do tempo de vida de um indivíduo.
Não há palavras para descrever como sinto pela infeliz morte desse felino. Mas estou confortado pelo fato de que as últimas paisagens que visualizou e últimos pensamentos que teve foram do alto na montanha, olhando as suas terras preferidas. Que o seu espírito ande ali para sempre, e os seus descendentes também.
|