www.jaguar.org.br | Edição 24 | Janeiro de 2009
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Armadilhas Fotográficas Para o Estudo da Onça-Pintada no Cockscomb Basin Wildlife Sanctuary, Belize
Por Paul Higginbottom P.Higginbottom@mmu.ac.uk

Paul Higginbottom é um estudante de 41 anos da Universidade Manchester Metropolitan na Inglaterra. Inspirado pelos problemas encontrados por espécies de felinos no mundo inteiro, desistiu do trabalho de engenheiro e voltou à faculdade em 2003.

Começou estudando ecologia, e hoje se especializou em conservação da onça-pintada, e iniciou um doutorado em 2005. Os seus estudos utilizam metodologias de armadilhas fotográficas e estão baseados no Cockscomb Basin Wildlife Sanctuary, em Belize, América Central. Duas grandes amostragens já foram realizadas, a primeira em 2007 e a segunda em 2008. Na amostragem de 2007, na parte Leste da área de estudo, foi investigado os efeitos de duração e tamanho da área amostrada e distância entre armadilhas fotográficas em uma floresta latifoliada, ao mesmo tempo em que expandiu a área amostrada do estudo anual de longo prazo.

Em 2008, o grid amostral foi mudado para a região Oeste do Cockscomb Basin. Essa área remota e nunca estudada anteriormente, não possuía trilhas e abrir um sistema de trilhas poderia facilitar o movimento de caçadores que já atuam nessa área protegida. Assim, foi feita uma amostragem com câmeras instaladas ao longo de cursos de água, garantindo um mínimo de perturbação. Resultados desses dois estudos serão publicados em breve, sendo que os resultados iniciais são animadores.

Paul Higginbottom selecionando locais para instalação de armadilhas fotográficas na base de pesquisa.  

Macho M02-8 registrado no Oeste do Cockscomb Basin em abril de 2008  

Espera-se que esses estudos contribuam para a conservação em longo prazo da onça-pintada na natureza. O trabalho é financiado pela Universidade Manchester Metropolitan, North of England Zoological Society (Sociedade Zoológica do Norte da Inglaterra) e Wildlife Conservation Society (Sociedade da Conservação da Vida Silvestre).

Mais detalhes podem ser encontrados no link
http://www.egs.mmu.ac.uk/users/smarsden/Research/PaulHigginbottom.html


 
         

Relação Epidemiológica Entre as Populações de Onça-Pintada (Panthera onca) e Animais Domésticos em Três Biomas Brasileiros: Cerrado, Pantanal e Amazônia
Por Mariana M. Furtado – Instituto Onça-Pintada marianafurtado@jaguar.org.br;


Monitoramento de frequência cardíaca de onça-pintada capturada para coleta de material biológico e colocação de radio-colar na região do Pantanal.  

Coleta de sangue de cachorro doméstico de propriedade rural na região do Pantanal.  

A fragmentação de hábitats, a caça predatória e o aumento da proximidade entre as comunidades humanas, animais domésticos e animais silvestres, podem ser responsáveis pelo aparecimento de doenças emergentes e reemer-gentes, pela disseminação de patógenos e por alterações nos padrões epidemiológicos das doenças. Porém, pouco se conhece sobre o potencial papel das doenças nas populações de animais silvestres. Considerando que as interações entre as populações de onças-pintadas e animais domésticos no entorno de Unidades de Conservação (UC) tendem a crescer, é possível que ocorra a transmissão de patógenos entre essas duas populações. Este projeto propõe realizar um levantamento do aspecto sanitário das populações de onças-pintadas em três Biomas brasileiros através da captura, coleta de material biológico e colocação de radio-colar nas onças-pintadas e coleta de amostras biológicas dos animais domésticos (bovinos e carnívoros) de propriedades rurais. Identificando assim, possíveis associações entre as populações estudadas e mapeando a ocorrência dos patógenos nas áreas de estudo, levando em consideração os diferentes modelos de ocupação humana.

Até o presente, amostras de 45 onças-pintadas foram coletadas nas áreas de estudo do Cerrado, Pantanal e Amazônia, e mais de 900 animais domésticos de propriedades rurais da região do Cerrado e Pantanal tiveram amostras biológicas coletadas. As amostras estão sendo analisadas para importantes zoonoses (Toxoplasmose, Leptospirose, Brucelose, Raiva e Tuberculose) e importantes doenças para carnívoros (Cinomose) e felídeos (Imunodeficiência felina – FIV e Leucemia felina – FeLV).

Os resultados preliminares mostram que as onças-pintadas da região do Cerrado e do Pantanal foram expostas à Leptospira spp, e ao Toxoplasma gondii, e não foram expostas à Brucella abortus.

Esses resultados auxiliarão nas estratégias de manejo e conservação para as populações de onça-pintada nas áreas de estudo, podendo servir como modelo de um programa epidemiológico que possa ser implementado em outras regiões.

Este projeto faz parte do Programa de Monitoramento de Longa Duração de Populações de Onça-Pintada do Instituto Onça-Pintada, e compõe uma tese de doutorado pelo Departamento de Medicina Veterinária e Saúde Preventiva Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, financiado pela FAPESP, e realizado em parceria com diferentes laboratórios de pesquisa.

 
 

Julho de 2007. Eu retornava com a equipe do Projeto Arara Azul das atividades diárias de campo, realizadas no Refugio Ecológico Caiman no Pantanal - MS, quando de dentro do carro nos deparamos com uma onça-pintada equipada com rádio-colar, uma fêmea monitorada pelo Instituto Onça Pintada. A onça estava em companhia de seus dois filhotes e não se intimidou com nossa presença, apenas esperou que os filhotes atravessassem a estrada da fazenda. Durante a estação seca no Pantanal a água é escassa, é mais frequente a observação de animais nas poças de água, como foi o caso dessa fêmea e seus dois filhotes.

Por Karlla Barbosa, barbosa.karlla@gmail.com

 
 

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